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Setembro de 2008


.: Relatório Correcta sobre a crise da AIG e seu impacto no Brasil

A AIG está presente em 130 países e possui 106 mil funcionários em todo o mundo, certamente sua crise afeta o mercado de seguros global. Mas o problema enfrentado pela AIG não deverá afetar a liquidez e operação da seguradora brasileira AIG Unibanco. No Brasil a AIG Unibanco possui patrimônio líquido de R$ 1,7 trilhão, com capital social de R$ 1 trilhão e reservas técnicas, que dão suporte as operações de seguros locais na ordem de R$ 3,9 trilhões, toda investida no Brasil.

Qual a razão do problema enfrentado pela AIG no exterior? A AIG era a seguradora com maior valor de mercado na bolsa de Nova Iorque, com um total de 221,7 milhões de ações negociadas. Em 31 de dezembro de 2007 fechou cotada a US$ 59,98, ou seja, um valor de mercado de aproximadamente US$ 13,3 trilhões. E após o fechamento do balanço do primeiro semestre de 2008, apresentando problemas com exposições na crise das hipotecas (sub-prime) e redução considerável na receita, o valor das ações fechou o pregão de 15 de setembro de 2008 negociado a US$ 4,76, voltando a cair ainda mais no pregão de hoje. Contudo, não acreditamos que o valor da AIG caia muito além disso, pois já alcançou seu valor patrimonial. A AIG grupo possui um total de ativos de US$ 1 trilhão com capital social de US$ 96 bilhões.

Separando o negócio de seguros comerciais, percebe-se que o índice combinado de seguros gerais – que demonstra o resultado operacional de uma seguradora – da AIG estava em 82,95% (17% de lucro) em 2007 e piorou para 93,74% (6% de lucro) em 2008. É uma piora, mas ainda indica lucro! O resultado piorou por diversos fatores, mas ressaltamos os seguintes: os prejuízos segurados de US$ 74 milhões com alagamentos na Inglaterra em junho de 2007, a queda no faturamento de seguros aeronáuticos pelo acirramento da concorrência mundial, e prejuízos com seguros de D&O (responsabilidade civil de executivos) na ordem de US$ 305 milhões com IPO’s mal sucedidos e outras falências bancárias. A despeito da piora na lucratividade, o faturamento de 2007 foi superior ao exercício de 2006 com US$ 12,22 bilhões.

Já estudando-se a AIG no consolidado de seus negócios, a AIG obteve um lucro de US$ 4,28 bilhões no primeiro semestre de 2007 (US$ 8,9 bilhões no ano 2007) e caiu para um prejuízo de US$ 13,16 bilhões no mesmo período de 2008. Isso se dá, sobretudo, pela subsidiária AIG Financial Services que estava alavancada em títulos de hipotecas.

Balanço consolidado 2007 2006 2005 2004 2003
Faturamento 110,064 113,387 108,781 97,823 79,601
Lucro operacional 8,943 21,687 15,213 14,845 11,907
Ativos 1,060,505 979,410 853,048 801,007 675,602

A liquidez do grupo AIG depende do aporte de US$ 70 à US$ 75 bilhões, os quais são negociados junto ao JP Morgan e Goldman Sachs, com apoio do FED. Também podendo ser conseguido com a venda de subsidiárias. No Brasil, o Unibanco tem capacidade de comprar as ações da AIG e assumir integralmente a operação local.

Essa crise de liquidez não deverá afetar as operações locais salvo nos casos de resseguros vultosos contratados junto à AIG nos Estados Unidos. Vale lembrar que isso não diz respeito apenas à Unibanco AIG, mas a todos os resseguros, portanto, é uma preocupação sobretudo do IRB Brasil Re. Seguros aeronáuticos, de D&O e de responsabilidades são os que mais preocupam.

A Unibanco AIG desde 2006 vem indenizando riscos vultosos: alto forno da CSN (US$ 750 milhões); acidente de engenharia do buraco do metrô de São Paulo; a colisão do avião da TAM em Congonhas; a colisão com o trem da Supervia no Rio de Janeiro; a queda do jatinho no aeroporto do Campo de Marte em São Paulo; entre outros. Mas nenhum destes eventos afetou a liquidez da Unibanco AIG no Brasil.

Informamos a nossos clientes – dos seguros intensos em resseguro tais como: aeronáuticos, industriais e de responsabilidade - que não possuímos exposição de resseguro na AIG. Suas apólices não estão resseguradas naquela instituição. Ainda que houvesse tal exposição, a legislação brasileira protege o segurado, pois a responsabilidade de indenizar é integral do segurador local independentemente do resseguro. Portanto, o maior problema de exposição –se houver - está com o IRB.

Repetimos que acreditamos na solução para a solvência da AIG global, até por que interessa aos Estados Unidos apoiá-la, uma vez que afetaria muitos outros setores e instituições pelo seu gigantismo. E ainda que a operação brasileira está fortemente vinculada e protegida pelo Unibanco que possui quase a totalidade das ações.

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