A AIG está presente em 130 países e possui 106 mil funcionários em todo o mundo, certamente sua crise afeta o mercado de seguros global. Mas o problema enfrentado pela AIG não deverá afetar a liquidez e operação da seguradora brasileira AIG Unibanco. No Brasil a AIG Unibanco possui patrimônio líquido de R$ 1,7 trilhão, com capital social de R$ 1 trilhão e reservas técnicas, que dão suporte as operações de seguros locais na ordem de R$ 3,9 trilhões, toda investida no Brasil.
Qual a razão do problema enfrentado pela AIG no exterior? A AIG era a seguradora com maior valor de mercado na bolsa de Nova Iorque, com um total de 221,7 milhões de ações negociadas. Em 31 de dezembro de 2007 fechou cotada a US$ 59,98, ou seja, um valor de mercado de aproximadamente US$ 13,3 trilhões. E após o fechamento do balanço do primeiro semestre de 2008, apresentando problemas com exposições na crise das hipotecas (sub-prime) e redução considerável na receita, o valor das ações fechou o pregão de 15 de setembro de 2008 negociado a US$ 4,76, voltando a cair ainda mais no pregão de hoje. Contudo, não acreditamos que o valor da AIG caia muito além disso, pois já alcançou seu valor patrimonial. A AIG grupo possui um total de ativos de US$ 1 trilhão com capital social de US$ 96 bilhões.
Separando o negócio de seguros comerciais, percebe-se que o índice combinado de seguros gerais – que demonstra o resultado operacional de uma seguradora – da AIG estava em 82,95% (17% de lucro) em 2007 e piorou para 93,74% (6% de lucro) em 2008. É uma piora, mas ainda indica lucro! O resultado piorou por diversos fatores, mas ressaltamos os seguintes: os prejuízos segurados de US$ 74 milhões com alagamentos na Inglaterra em junho de 2007, a queda no faturamento de seguros aeronáuticos pelo acirramento da concorrência mundial, e prejuízos com seguros de D&O (responsabilidade civil de executivos) na ordem de US$ 305 milhões com IPO’s mal sucedidos e outras falências bancárias. A despeito da piora na lucratividade, o faturamento de 2007 foi superior ao exercício de 2006 com US$ 12,22 bilhões.
Já estudando-se a AIG no consolidado de seus negócios, a AIG obteve um lucro de US$ 4,28 bilhões no primeiro semestre de 2007 (US$ 8,9 bilhões no ano 2007) e caiu para um prejuízo de US$ 13,16 bilhões no mesmo período de 2008. Isso se dá, sobretudo, pela subsidiária AIG Financial Services que estava alavancada em títulos de hipotecas.
| Balanço consolidado | 2007 | 2006 | 2005 | 2004 | 2003 |
| Faturamento | 110,064 | 113,387 | 108,781 | 97,823 | 79,601 |
| Lucro operacional | 8,943 | 21,687 | 15,213 | 14,845 | 11,907 |
| Ativos | 1,060,505 | 979,410 | 853,048 | 801,007 | 675,602 |
A liquidez do grupo AIG depende do aporte de US$ 70 à US$ 75 bilhões, os quais são negociados junto ao JP Morgan e Goldman Sachs, com apoio do FED. Também podendo ser conseguido com a venda de subsidiárias. No Brasil, o Unibanco tem capacidade de comprar as ações da AIG e assumir integralmente a operação local.
Essa crise de liquidez não deverá afetar as operações locais salvo nos casos de resseguros vultosos contratados junto à AIG nos Estados Unidos. Vale lembrar que isso não diz respeito apenas à Unibanco AIG, mas a todos os resseguros, portanto, é uma preocupação sobretudo do IRB Brasil Re. Seguros aeronáuticos, de D&O e de responsabilidades são os que mais preocupam.
A Unibanco AIG desde 2006 vem indenizando riscos vultosos: alto forno da CSN (US$ 750 milhões); acidente de engenharia do buraco do metrô de São Paulo; a colisão do avião da TAM em Congonhas; a colisão com o trem da Supervia no Rio de Janeiro; a queda do jatinho no aeroporto do Campo de Marte em São Paulo; entre outros. Mas nenhum destes eventos afetou a liquidez da Unibanco AIG no Brasil.
Informamos a nossos clientes – dos seguros intensos em resseguro tais como: aeronáuticos, industriais e de responsabilidade - que não possuímos exposição de resseguro na AIG. Suas apólices não estão resseguradas naquela instituição. Ainda que houvesse tal exposição, a legislação brasileira protege o segurado, pois a responsabilidade de indenizar é integral do segurador local independentemente do resseguro. Portanto, o maior problema de exposição –se houver - está com o IRB.
Repetimos que acreditamos na solução para a solvência da AIG global, até por que interessa aos Estados Unidos apoiá-la, uma vez que afetaria muitos outros setores e instituições pelo seu gigantismo. E ainda que a operação brasileira está fortemente vinculada e protegida pelo Unibanco que possui quase a totalidade das ações.